Em sua passagem pelo Brasil, nesta semana, como palestrante da HSM
ExpoManagement 2011, a pesquisadora falou sobre o quanto o
conhecimento pode ser uma faca de dois gumes quando se trata de inovação
tecnológica.
Doutora e professora de Gestão do Conhecimento e Inovação na
Universidade de Harvard, nos EUA, a pesquisadora é bastante conhecida e citada
na área de gestão de tecnologias emergentes.
Os ensinamentos de Leonard-Barton podem ser aplicados a qualquer tipo de
organização – grandes e pequenas empresas, Ongs, igrejas, agências de
publicidade ou até mesmo a redações de jornal.
Segundo Leonard-Barton, a maioria das organizações quebra por confundir
o objetivo do negócio (missão tecnológica) com a tecnologia (plataforma
utilizada).
Isso aconteceu recentemente com a indústria musical que não soube
diferenciar o objetivo do negócio (fornecer experiência musical) da tecnologia
utilizada (CD). O mesmo pode estar acontecendo com alguns protagonistas da
indústria de jornal, que, na mudança dos átomos para os bits, não sabem mais se
a sua missão é “filtrar, analisar, interpretar informação” ou “fazer jornal de
papel”.
Para inovar é necessário ter conhecimento. Grandes inovações surgem da
reutilização de conhecimento. Por exemplo, o acelerômetro usado em celulares, como
iPhone, pode ser reutilizado para criar “sapatos inteligentes”, que reagiriam a
torções e guinadas, algo que seria útil para pessoas idosas.
Contudo, quanto mais conhecimento uma organização tem numa área, menor a
probabilidade de conhecer o que “não sabe”. Ou seja, maior o risco de, após
anos de excelência, ter dificuldade de mudar.
Isso acontece não somente com organizações, mas com profissionais. Um
profissional fica tão especializado e focado em uma determinada área, que
depois torna-se difícil de ser contestado ou de ele aprender novos
conhecimentos. Alguns pressupostos ficam enraizados.
Na realidade, o conhecimento tem dois lados – dependendo do contexto,
pode ajudar e, ao mesmo tempo, restringir a inovação.
Segundo Leonard-Barton, a inovação acontece quando vários conhecimentos
se misturam. Empresas e mercados inovadores nascem da união de ecossistemas
diferentes.
Exemplo: a Google surgiu
da união entre TI e sistemas de informação; a Amazon nasceu a partir da união de
marketing e tecnologia.
Apesar dessa mistura ser essencial para inovação, existe um tipo de
conhecimento que se sobressai – o conhecimento tácito. É aquele conhecimento
pessoal aprendido por meio da experiência prática, do fazer, e que, por isso, é
difícil de ser compartilhado e formalizado. Está muito interiorizado nas
pessoas.
Quantas vezes você não teve dificuldade de explicar o modo de fazer algo
que você realiza todo dia e com eficiência? É bem provável que aí resida conhecimento tácito.
Por ser exclusivo, pessoal e difícil de ser formalizado e transferido, o
conhecimento tácito é um dos mais importantes e valiosos que as pessoas e as
organizações têm.
Isso explica, em parte, por que muitas empresas não conseguem inovar –
historicamente, a inovação tem como base o conhecimento tácito.
Leonard-Barton deu algumas dicas sobre como fazer para que o conhecimento
não restrinja a inovação em uma organização. Vale lembrar que as dicas servem
para qualquer tipo de organização – agências, jornais, igrejas…
1) Sempre desafie e conteste os experts de sua
empresa (os
especialistas podem estar errados).
2) Crie grupos de trabalho e de estudo com conhecimentos e experiências diferentes (a ideia é criar atritos mesmo, divergências intelectuais. É aí que surge a inovação).
3) Traga um “alien” para os grupos da organização – um profissional com conhecimento e experiência totalmente diferentes do resto da organização.
4) Incentive a transferência de conhecimento tácito (A IDEO fez um programa no qual treinava profissionais da Samsung)
5) Recorra ao crowdsourcing (criar um concurso para o desenvolvimento de aplicativos ou novos recursos para um site é uma ótima forma de buscar soluções na “multidão”).
6) Lance protótipos (Eles nada têm a ver com hardware ou coisas físicas. Protótipos ajudam a criar conhecimento. Têm baixo custo. Um protótipo vale mais do que mil palpites e discussões teóricas sobre se algo é viável ou não).
2) Crie grupos de trabalho e de estudo com conhecimentos e experiências diferentes (a ideia é criar atritos mesmo, divergências intelectuais. É aí que surge a inovação).
3) Traga um “alien” para os grupos da organização – um profissional com conhecimento e experiência totalmente diferentes do resto da organização.
4) Incentive a transferência de conhecimento tácito (A IDEO fez um programa no qual treinava profissionais da Samsung)
5) Recorra ao crowdsourcing (criar um concurso para o desenvolvimento de aplicativos ou novos recursos para um site é uma ótima forma de buscar soluções na “multidão”).
6) Lance protótipos (Eles nada têm a ver com hardware ou coisas físicas. Protótipos ajudam a criar conhecimento. Têm baixo custo. Um protótipo vale mais do que mil palpites e discussões teóricas sobre se algo é viável ou não).
Publicado por Tiago Dória, em 10 de novembro de
2011 (Quinta-feira).
Categoria: eventos. Tags: conhecimento tácito, Dorothy Leonard-Barton, Harvard, hsm, hsmexpo11, tecnologias emerge
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